Folha de S. Paulo


Estilistas derrubam fronteiras entre roupa masculina e feminina

O questionamento sobre a divisão clássica entre vestuário masculino e feminino ganhou as passarelas do mundo. A última temporada de moda internacional misturou de vez os guarda-roupas convencionalmente atribuídos a cada um dos sexos.

Não se pode aqui falar em androginia. A proposta de estilistas que exibiram suas coleções em fevereiro e março não é a masculinização da imagem da mulher.

Agora, é tudo bem diferente da atitude sugerida nos anos 1960, quando o francês Yves Saint Laurent criou o smoking para elas.

MISTURANDO AS BOLAS

A sacada de grifes como as italianas Prada e Gucci, que desfilaram em Milão, e das americanas Michael Kors e Diane Von Furstenberg, duas das principais marcas que se apresentam na semana de Nova York, foi misturar as bolas para cravar terninhos com saias ou cores adocicadas e silhuetas ajustadas, imagens que se contrapõem à androginia fria vendida em ensaios de moda ao longo dos anos.

Esse movimento não se confunde com uma "tendência" ou onda passageira.

A corrente "boyish" (termo fashion para visual masculino em roupa de mulher) é tão forte que emblemas da feminilidade como Gucci e a francesa Givenchy fundiram alfaiataria militar a um teor romântico –expresso em laços, volumes nas saias e florais.

O Brasil também está nessa mistura de closets. "Não cabe mais discutir se é roupa de mulher ou de homem. Isso tudo soa ultrapassado aos olhos do consumidor de moda. O importante é o que cada roupa transmite", disse a estilista Raquel Dawidovicz, da grife Uma, dias antes de mostrar seu verão 2016 na São Paulo Fashion Week.

Na passarela, a conhecida androginia oferecida por Dawidovicz em temporadas passadas ganha contorno feminino, silhueta mais colada ao corpo e novas formas, muitas vezes em linhas assimétricas.
O mix de gêneros é um ingrediente a mais neste momento em que a moda ensaia uma revisão no seu manual de regras, tanto criativas quanto mercadológicas.

A grande mudança cantada pela indústria para os próximos anos é o fim das estações. Vender ainda é a prioridade, mas questões como "para quem", "onde" e "em qual contexto" se tornam mais importantes do que elucubrações sobre a tendência ou o clima da temporada.

Exemplo disso é a italiana Versace, maior defensora da alteração no calendário internacional. Em plena temporada de inverno 2016, a grife colocou transparências e pernas nuas na passarela, apresentando como tecido a própria pele da mulher.

O vaivém dos desfiles


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