Folha de S. Paulo


Não quero dirigir na velhice, diz Tarantino

O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria, escreveu Blake, e pelas últimas décadas ninguém em Hollywood o seguiu de maneira mais assídua que Quentin Tarantino, com seus filmes famosos pela violência, pelas trilhas sonoras ruidosas e pelos diálogos excêntricos.

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"Django Livre", o mais novo projeto de Tarantino, concorre a cinco Oscar e não foge à regra. Seguem trechos da conversa com o diretor.

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Filmografia
Acredito que minha obra seja a coisa mais importante para mim. Preocupo-me com minha filmografia e quando isso acontece você precisa levar em conta a média: um filme ruim basta para prejudicar três bons. Não quero continuar dirigindo na velhice. Acho que diretores são como boxeadores. Precisam saber quando pendurar as luvas.

"Django"
O western spaghetti sempre me influenciou. Não sei dizer se "Django" é um western, exatamente. É um "southern". Estou contando uma história de faroeste, mas o pano de fundo é o Sul dos Estados Unidos.

Elenco
Escalo o elenco com integridade, em lugar de simplesmente tentar encaixar um ator de sucesso em qualquer papel disponível. E eu sei dirigir atores, extrair o melhor deles. Quando alguém chega a uma interpretação magnífica, sei reconhecer que é bom e sair do caminho.

Livros
Minhas leituras se concentravam em ficção de gênero, muitos livros de bolso. J.D. Salinger, especialmente, me inspirou demais, e alguns dos livros de Larry McMurtry também.

Futuro
Quero correr o risco de esbarrar nos limites do meu talento. Quero testar esses limites e descobrir até que ponto sou bom. Não quero fracassar, mas quero correr o risco de um fracasso a cada projeto que começo.

Tradução de PAULO MIGLIACCI


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