Folha de S. Paulo


Opinião: Antes do choque de ordem, Vila Madalena precisa se decidir

A Copa só fez multiplicar problemas que a Vila Madalena já enfrenta há muito tempo. Venda de drogas na porta de bares acontece faz anos.
Carros passando com som nas alturas, principalmente nos finais de semana, também. Os dois últimos carnavais os blocos na rua deixaram no chão muito mais do que confete e serpentina. Barulho? A Vila talvez seja o lugar onde o Psiu mais lucrou nos últimos tempos.

Jovens gringos zanzando pelas ruas existem desde que explodiu o número de albergues na localidade há uns dois, três anos. O bairro fica na região central, tem um ou outro lugarzinho de arte para ir, ver alguma coisinha, respirar cultura, e depois cair nos bares e restaurantes noite adentro.

Em paralelo, a Vila Madalena sofre forte "Alphavillezação" –condomínios verticais de altíssimo padrão para gente que já desistiu de ir para os condomínios horizontais nas bordas da cidade por conta do trânsito pesado.

Prédios comerciais despojados surgiram na paisagem. O trânsito, que se concentrava mais à noite, passou a engrossar durante o dia. Os preços dos antigos apartamentos e residências explodiram. Uma transformação violenta.

Com tudo isso, a Vila Madalena entrou em crise de identidade. O lugar é legal, pero no mucho. Eu aqui, você aí.

O bairro precisa de choque de ordem "Padrão Fifa" há algum tempo. Mas antes necessita chegar a um consenso se quer ser um bairro descolado do restante de São Paulo ou se integrar aos Jardins.

Ainda bem que Vila Madalena já tem metrô.

Augusto Diniz é editor-executivo da revista "O Empreiteiro" e morador da Vila Madalena há 10 anos.


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