Folha de S. Paulo


Apoiado pelo palmeirense Felipe Melo, Bolsonaro rebate críticas de Neto

Ricardo Borges/Folhapress
Jair Bolsonaro em clube de subtenentes e sargentos do exército na cidade do Rio de Janeiro
Jair Bolsonaro em clube de subtenentes e sargentos do exército na cidade do Rio de Janeiro

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) publicou vídeo no Facebook agradecendo o apoio do jogador do Palmeiras Felipe Melo e criticando as declarações do apresentador da TV Band e ex-jogador do Corinthians Neto, que criticou o jogador pela publicação de mensagens de apoio a Bolsonaro nas redes sociais e chamou o deputado de homofóbico durante o programa "Baita Amigos", do canal Bandsports.

"Felipe Melo, eu quero agradecer a espontaneidade com a qual você apoiou o meu trabalho, bem como cumprimentá-lo por não ser politicamente correto", diz Bolsonaro no vídeo. Em seguida, são exibidas imagens do programa "Baita Amigos", em que Neto critica Felipe Melo pelo vídeo publicado pelo jogador no dia 1º de maio. Na publicação, o volante parabeniza os trabalhadores e pede "pau nos vagabundos", em alusão aos participantes dos protestos organizados no Dia do Trabalho e na greve geral de 28 de abril, dizendo em seguida: "Bolsonaro neles".

O vídeo publicado pelo do deputado continua com imagens de Bolsonaro ao lado de representantes LGBT e de Neto ao lado de Lula e com uma camiseta com a imagem do guerrilheiro Che Guevara, líder da revolução cubana.

"Neto, as imagens falam por si. O seu ídolo então é Che Guevara, que exterminava gays? Mais que um bobão Neto, tu é um bobalhão", completa Bolsonaro no fim da publicação.

Bolsonaro adota discurso de oposição à esquerda, exaltação da ditadura militar (1964-1985) e tem no currículo declarações polêmicas, como a de que não "estupraria" a colega Maria do Rosário (PT-RS) porque ela "não merecia" –a frase o tornou réu no Supremo Tribunal Federal, acusado de incitação ao crime de estupro.

À Folha, em março, reagiu: "Não é a imprensa nem o Supremo que vão falar o que é limite pra mim".

Depois de uma palestra no clube Hebraica no Rio, Bolsonaro entrou na mira do Ministério Público Federal sob acusação de discriminação racial.

Durante o evento, relatou a ida a um quilombo: "O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles".

Disse ainda que violência deve ser combatida "com porrada" e que, se um dia chegar à Presidência, terá metade dos ministérios chefiados por militares. "Não vou ter cota de lésbica", afirmou.


Endereço da página: