Folha de S. Paulo


Juvenal rebate Aidar e diz que montou boa parte do time titular do São Paulo

Presidente do São Paulo até abril deste ano, Juvenal Juvêncio se disse "absolutamente assustado" com a entrevista de seu sucessor, Carlos Miguel Aidar, publicada na quarta (10) na Folha.

Aidar criticou a situação financeira em que encontrou o clube e o modo como é gerida a categoria de base, além de reclamar de "benesses" concedidas a dirigentes na administração do antecessor.

O atual presidente do São Paulo também afirmou que a permanência de Juvenal na direção das categorias de base não está segura. "Estou dando um tempo maior para ele [Juvenal]. Vou até o limite do possível. Não dá para contemporizar numa gestão profissional", admitiu.

Juvenal apoiou a candidatura de Aidar à presidência e, após a posse, foi nomeado diretor das categorias de base do clube do Morumbi.

Na tarde de quarta, o dirigente afirmou à Folha que estava avaliando se deixaria seu cargo na atual gestão. No entanto, à noite, divulgou nota em que se defendeu das acusações de Aidar e afirmou que continuará à frente das categorias de base do clube.

O ex-presidente disse que, após as declarações de Aidar, "o clube está em uma situação muito tênue".

"Para ser suave, digo que eu estranhei muito. Faz 24 anos que ele [Aidar] não vai ao São Paulo. Eu trouxe-o, elegi-o. Ele trouxe coisas pequenas", afirmou.

Ele ainda destacou que não imaginava receber tais críticas de alguém que apoiou com prejuízo de suas relações mais caras e de sua saúde.

Marlene Bergamo/Folhapress
Juvenal Juvêncio durante entrevista à Folha em abril
Juvenal Juvêncio durante entrevista à Folha em abril

CONTRA-ATAQUE

Juvenal não rebateu os dados expostos por Aidar. Em relação a um empresário ter direito a 10% da venda de Lucas Evangelista à Udinese, o ex-presidente alega que esse acordo foi uma espécie de contrapartida de uma empresa por ela ter colocado o zagueiro Rhodolfo e o lateral Cortez no São Paulo.

O ex-presidente rechaçou que as categorias de base sejam um problema.

"Ele falou em diminuir o número [de jogadores] de Cotia. Aquilo não é uma obra em que você corta 50 operários e diminui o ritmo. Aquilo é uma ciência, uma arte", disse. "Aquilo é um diamante. Não pode ser jogado em barganha política."

Já o atual presidente se contrapõe. "A base meio que se isolou do São Paulo, como se fosse um clube separado. O Juvenal tem que se entrosar mais com a gestão atual porque a base é o futuro do São Paulo", argumentou Aidar.

Juvenal também minimizou a responsabilidade de seu sucessor pelos bons resultados da equipe.

"Esse time que está aí tem uma novidade que se chama Kaká. Ele é uma unanimidade. Mas os outros jogadores são nossos", disse Juvenal, se referindo ao fato de boa parte da equipe titular ter sido contratada durante sua gestão.

Alan Kardec e Michel Bastos, que vêm sendo titulares, porém, foram contratados na administração de Aidar.

As finanças do clube, outro ponto levantado por Aidar, foi rebatido por Juvenal. "Dos R$ 130 milhões de dívida que ele diz, R$ 50 milhões não são de empréstimo. São de um adiantamento que eu fiz com a Globo. O dinheiro entrou três dias antes de eu sair da presidência", diz.

DESDOBRAMENTOS

As declarações críticas d Carlos Miguel Aidar à gestão de Juvenal causaram grande repercussão dentro do clube. O principal temor dos cartolas são-paulinos é que essa briga afete o desempenho do time no Brasileiro.

A dúvida sobre o futuro está relacionada à influência que Aidar e Juvenal têm dentro do clube, com jogadores e comissão técnica.

Juvenal, por exemplo, foi presidente entre 2006 e 2014 passou o dia reunido com aliados políticos.

Na última eleição que participou no São Paulo, obteve ampla maioria dos votos 163 de um quórum de 173 eleitores. Juvenal foi também quem formou a atual comissão técnica são-paulina.

Colaborou RAFAEL VALENTE, de São Paulo


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