Folha de S. Paulo


Faixa de corintiano na Bombonera gera punição interna e pancadaria em torcida

Mal começava o clássico entre Corinthians e Santos, no domingo, e uma briga se formava na arquibancada verde do Pacaembu. Era uma disputa entre duas torcidas organizadas por espaço na arquibancada.

Estopim da Fiel e Coringão Chopp entraram em conflito que acabou em pancadaria e intervenção da polícia. Podem ser punidas pelo Tribunal de Justiça Desportiva por uma briga que na verdade começou na partida contra o Boca Juniors, em La Bombonera, há duas semanas.

A Estopim da Fiel foi "punida" pelas próprias organizadas pois um de seus integrantes foi até Buenos Aires, na partida contra o Boca, e exibiu uma bandeira simples, com as iniciais da torcidas: EF. O Corinthians continua proibido pela Conmebol de enviar torcedores a jogos como visitante.

Ocorre que o membro da Estopim utilizou amarelo e azul na faixa, as cores do Boca, o que irritou as outras torcidas. Com isso, a Estopim foi punida: já no jogo contra o Santos, deveria deslocar-se um pouco mais à esquerda, na arquibancada verde, e a Coringão Chopp ocuparia seu espaço na arquibancada amarela.

Diante do problema, integrantes das duas torcidas entraram em conflito.

"Pedimos desculpas à nação corintiana [...] mas foi a forma que achamos representar nossos associados e demonstrar o apoio ao nosso glorioso Corinthians mesmo com a punição imposta pela Conmebol", diz nota publicada pela Estopim.

ESPAÇO NA ARQUIBANCADA

Dentro do Pacaembu, palco do jogo decisivo entre Corinthians e Boca, nesta quarta-feira à noite, pela Libertadores, com ingressos esgotados, as torcidas organizadas têm seu espaço, mas são elas mesmas quem definem a própria hierarquia.

"Cada torcida organizada tem seu espaço, e elas respeitam. Foi definido em 2006, por meio de TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] firmado com o Ministério Público, que as organizadas ocupariam a arquibancada amarela do Pacaembu", disse Marcos Marinho, chefe do departamento de segurança da Federação Paulista de Futebol.

No Pacaembu, o desejo das torcidas organizadas é permanecer o mais próximo possível da divisa com as cadeiras laranjas, onde fica a Gaviões da Fiel, maior e mais influente grupo, atualmente vetada pela federação paulista por mau comportamento no Morumbi. Naquele ponto, a visibilidade é maior, principalmente pela exposição na TV.

Marinho diz que a federação não se intromete no espaço que cada torcida organizada possui. "Desde que não crie problemas para nós nem interfira na segurança", argumentou. "Mas a gente sabe que eles têm um acordo."

Segundo o chefe de segurança da federação, a Polícia Militar ainda não enviou nenhuma documentação sobre a briga de domingo. "Não sei se foi feita ocorrência, se foi preso alguém o use entendem que houve participação coletiva de torcidas organizadas", afirmou.

No domingo, a Folha presenciou a prisão de dois torcedores, um do Corinthians e outro do Santos, cuja torcida também entrou em conflito, na área reservada aos visitantes.

SEM LIMITES

O Corinthians reserva uma parcela dos ingressos para as torcidas organizadas. Mas são elas mesmas quem definem a cota de cada uma. "Eles se organizam dentro do processo, e cada um tem uma cota máxima", explica Lúcio Blanco, gerente de arrecadação do Corinthians. "Isso foi definido em reunião do clube com as torcidas."

Ele conta que há um teto: em jogos no Pacaembu, o limite é de 4.000 bilhetes reservados à organizadas.

"Eles [organizadas] também estão cadastradas no programa Fiel Torcedor, são 8.000 pessoas no momento", diz. "Hoje são 4.000 ingressos, cuja carga varia de acordo com o apelo. Sempre de 4.000 para baixo."

Mas admite que é impossível evitar que torcedores de organizadas comprem outros bilhetes "comuns". "Muitos compram ingressos de forma individual."

Para o duelo contra o Boca, os bilhetes estão esgotados. Blanco diz que são em torno de 37 mil bilhetes vendidos.

Editoria de arte/Folhapress

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