Folha de S. Paulo


Ferguson só teve o emprego sob ameaça uma única vez, em 1990

"Se perder, Ferguson cai." Títulos com este teor foram publicados por tabloides ingleses em janeiro de 1990, quando o Manchester United iria enfrentar o Nottingham Forest pela terceira rodada da Copa da Inglaterra.

Já fazia quase três anos que Alex Ferguson estava no comando do Manchester United --e sem ganhar títulos.

Um gol de Mark Robins garantiu a vitória por 1 a 0, o time avançou na competição e aquela foi a primeira das 38 voltas olímpicas de Ferguson no Manchester United.

Desde então, nunca mais foi ameaçado no cargo e devolveu a longevidade com títulos. Ontem, Ferguson anunciou vai se aposentar ao final da atual temporada europeia.

Robins ficou conhecido como "o homem que salvou o emprego de Ferguson".

"Não tenho a menor ideia do que teria acontecido", disse o atleta à BBC anos depois.

Editoria de Arte/Folhapress

No Brasil, por incontáveis motivos, é impossível imaginar um treinador durante 27 anos no mesmo clube.

"Eu acredito em continuidade", diz o diretor-executivo do Fluminense, Rodrigo Caetano. "Mas mesmo esses longos períodos têm ciclos, e cabe a nós, dirigentes, identificar até quando eles dão resultado e achar a hora certa para encerrá-los."

Entre os times da primeira divisão do Brasil, Tite, técnico do Corinthians, é o que está há mais tempo no cargo --e não é tanto tempo assim, desde outubro de 2010.

Tite só ficou porque, em fevereiro de 2011, o então presidente Andres Sanchez teve que discutir com uma série de conselheiros e diretores influentes no clube para segurar o gaúcho no cargo.

"Se vocês ajudarem a pagar a multa, eu demito", disse Andres a seus aliados, que desistiram da ideia.

O próprio Tite já afirmou que trocaria o alto salário que recebe por mais estabilidade no cargo de treinador.

"A verdade é que ele transformou o cargo, talvez seja um caso único", diz Rodrigo Caetano. "Ele era um diretor, um estrategista e tinha todo um corpo técnico por baixo."

Vanderlei Luxemburgo, hoje no Grêmio, cansou de citar Ferguson como exemplo do que gostaria de ser --mais que um técnico, um manager, que decide sobre contratações, salários, dispensas etc.

Nunca deu certo.

No Manchester United, Alex Ferguson foi um sucesso dentro e fora do campo.

Ganhou mais de um troféu por temporada. E gastou em 27 anos com reforços o mesmo dinheiro que seu rival novo-rico, o Manchester City, em cinco temporadas.

Seu maior erro se deu em 2001, quando seu filho Jason se envolveu na transferência do zagueiro holandês Jaap Stam para a Lazio, da Itália.

Com as agências de notícias


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