Folha de S. Paulo


USP quer desalojar sindicato dos trabalhadores da universidade

A reitoria da USP quer desalojar o Sintusp, o sindicato dos trabalhadores da universidade que está em greve por reajuste salarial. A entidade ocupa salas na ECA (Escola de Comunicação e Artes) desde os anos 1960.

A USP já encaminhou dois ofícios pedindo a liberação do local, sem dar alternativas para o sindicato. Também informa que, caso o sindicato não esvazie o espaço em 30 dias, a USP vai tomar medidas judiciais para despejar a entidade. Um segundo ofício reiterando a decisão a foi encaminhado na última quinta-feira (25).

O Sintusp acusa a reitoria de retaliação à atividade sindical. "É um ataque à entidade por conta da nossa luta sindical", diz o diretor do Sintusp Alexandre Pariol. "Vamos resistir".

O professor da ECA Luiz Renato Martins também criticou a posição da USP. "É de um autoritarismo digno do AI-5 na época da ditadura", disse. Martins participa da organização de um ciclo de palestras, intitulado Universidade do Trabalhador, na sede do sindicato. Nesta terça-feira (31), o professor Francisco de Oliveira falará às 14h.

A reitoria não informa o que pretende fazer no espaço. "A desocupação foi solicitada em 6 de abril, tendo em vista a regularização dos espaços da USP e a necessidade do aproveitamento da área", informou a assessoria de imprensa da reitoria.

Apesar de o espaço ficar no perímetro da ECA, a escola não solicitou o espaço - e aprovou moção negando que tenha feito isso na última reunião da Congregação, dia 27. Questionada, a reitoria argumentou que o espaço é vinculado à superintendência do Espaço Físico da USP, e não à unidade.

O Sintusp decretou greve dos funcionários no dia 12 de maio. A categoria é contra a proposta de reajuste salarial de 3% e exige aumento de 12,3%.

Outras entidades, como a Adusp (Associação dos Docentes da USP) e DCE (Diretório Central dos Estudantes), têm espaços dentro da instituição.


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