Folha de S. Paulo


Phelippe Daou (1928-2016)

Mortes: Pioneiro da radiodifusão no Norte do país

Amazonas, Rondônia, Acre, Roraima e Amapá. O nome de Phelippe Daou está na história da televisão desses cinco dos sete Estados da região Norte do Brasil.

Filho de imigrantes libaneses –o pai era regatão, vendedor que percorria os rios de barco durante o ciclo da borracha, e a mãe, comerciante–, Daou começou a trabalhar aos 16 no diário "O Jornal".

Apesar de se formar em direito, nunca mais largou o campo da comunicação. Especializado em cobertura política e econômica, chegou a redator-chefe no periódico.

Ao longo de 15 anos, seria correspondente da Folha na região. Após um período trabalhando com propaganda, decidiu montar a sua emissora de televisão. Nascia a Rede Amazônica, em 1972.

Em menos de dois anos, expandiu a rede, hoje consolidada como afiliada da Rede Globo, para os outros quatro Estados. Foi precursor ainda nas transmissões em cores.

Era conhecido pela generosidade e humildade. Certa vez, um amigo com quem tinha negócios caiu em desgraça financeira e, endividado e envergonhado, se afastou.

Daou percebeu que estava sendo evitado e chamou o amigo para uma reunião. No encontro, tirou a nota promissória da gaveta e a rasgou. "Isso era um empecilho para você continuar sendo o amigo que sempre foi. A partir de agora, você não me deve nada", disse.

Sofreu uma parada cardíaca em 8 de dezembro e morreu por falência de múltiplos órgãos no último dia 14, em São Paulo. Era a véspera do seu aniversário de 88 anos. Deixa os filhos Phelippe e Cláudia, quatro netos e três dos cinco irmãos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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