Folha de S. Paulo


Crise deve enxugar festa de Réveillon no Rio; ocupação de hotéis também cai

Marcelo de Jesus - 31.dez.15/UOL
Queima de fogos de Copacabana em 2015
Queima de fogos de Copacabana em 2015

A crise econômica afastou patrocinadores e levou a Prefeitura do Rio a enxugar neste ano a festa do tradicional Réveillon da praia de Copacabana. Hotéis também esperam uma ocupação menor do que em anos anteriores.

A estrutura da festa, que deverá atrair até 2 milhões de pessoas, segundo a prefeitura, foi reduzida a apenas um palco. No ano passado, foram dois. Em 2014, três.

O evento terá como atração principal o show O Grande Encontro, com Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença. O palco será montado em frente ao hotel Copacabana Palace. Em 2015, havia um segundo, na rua Santa Clara.

O edital para a montagem do evento prevê um gasto de até R$ 2,35 milhões com a estrutura. O valor não inclui custos com fogos e contratação das atrações, ainda não divulgados. As propostas serão abertas nesta segunda (12).

Tradicionalmente, os gastos com a estrutura eram bancados pela iniciativa privada. Até agora, porém, não houve patrocinadores interessados.

O prazo para demonstração de interesse venceria em 30 de setembro, mas foi adiado. A Riotur disse que os editais ainda estão na rua e, por isso, não pode comentar.

Mas afirmou que a festa está garantida. "Mesmo que não haja patrocínio, a prefeitura irá custear a festa", informou a assessoria do órgão.

O atraso na conclusão do processo preocupa a rede hoteleira, que teve investimentos em ampliação da capacidade para a Olimpíada e vive a expectativa de ocupação mais baixa neste Réveillon.

"A mídia espontânea, que é muito importante para atrair turista, só decola depois do anúncio das atrações. Este ano estão esperando patrocinadores até o último segundo", afirma Alfredo Lopes, presidente da associação da indústria de hotéis do Rio.

Até agora, a taxa de ocupação dos hotéis da orla de Copacabana está em 75%. No ano passado, 98% dos quartos da região foram ocupados no período do Réveillon.

Na Barra da Tijuca, região que recebeu o maior investimento em ampliação da capacidade, a taxa de ocupação para o Réveillon está em 60%. Os números são melhores do que há duas semanas, diz Lopes, quando o indicador da zona sul estava em 48% e o da Barra, em 36%.

Mas a entidade não espera repetir os índices de 2015. A expectativa é atingir 80%.

"Além da falta de dinheiro, há grande sensação de insegurança. Quem está empregado está com medo de perder o emprego. E quem não está não tem dinheiro", diz.

A concorrência também vem aumentando nos últimos anos, com maior oferta de acomodações em casas particulares em sites como Airbnb.

Segundo a Riotur, a cidade recebeu 857 mil turistas no último Réveillon, que gastaram perto de US$ 686 milhões.


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