Folha de S. Paulo


José Galisi Filho (1962-2016)

Mortes: Um germanista apaixonado por livros e bicicletas

José Galisi Filho estava desencantado com a Alemanha. Antes entusiasta, com mestrado na Unicamp e doutorado em Hannover sobre o autor alemão Heiner Müller, havia se voltado agora à cosmologia, diz a irmã Ana Cristina.

Galisi morava em Hannover havia duas décadas. Contava não reconhecer mais a Alemanha, falava da falência como Estado, da desunião.

Morreu em 12 de fevereiro, aos 53, mas a família só foi informada no último mês. "José teve uma vida difícil nestes três anos, em todos os sentidos", diz a irmã. A família ainda não tem o atestado de óbito, mas ele teria sido internado num hospital de Hannover com insuficiência cardíaca.

A mulher, Fátima, mora em São Caetano do Sul (SP) com o filho do casal, Juliano, 14. "A gente sempre falava na perspectiva de voltar a morar junto", conta. "Ele dizia, 'estou aqui garantindo que Juliano possa estudar na Alemanha'".

Lá, Galisi gostava das livrarias. "Era prato cheio, comprava um monte, amava os livros. E curtia sair, passear de bicicleta." Segundo Fátima, ele procurou por muito tempo uma posição acadêmica no país, "mas não conseguiu".

Cristina acrescenta que ele se sentia sozinho e cansado, "mas satisfeito por suas conquistas intelectuais". No Brasil, foi orientado por Roberto Schwarz no mestrado e trabalhou com a Cia. Razões Inversas, de Marcio Aurelio.

"Gostava muito do Galisi", diz o diretor, lembrando que era influenciado por Adorno. "Na montagem do 'Torquato Tasso', do Goethe [em 1995], ele foi dramaturgista, fazia a análise crítica do discurso."

Foi também colaborador desta Folha, por uma década.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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