Folha de S. Paulo


Contra gastões, academia em SP põe ampulheta e campainha em chuveiro

Fabio Braga/Folhapress
Vestiário da academia Ecofit, na Lapa (zona oeste), que instalou ampulhetas nos chuveiros
Vestiário da academia Ecofit, na Lapa (zona oeste), que colocou cartazes e ampulhetas nos chuveiros

De cabelos ainda molhados do banho e uma mochila nas costas, Karina Simão, 36, deixa a academia Smart Fit, que frequenta perto do trabalho, em Santa Cecília (centro de SP), rumo à sua casa, longe dali, na Saúde (zona sul).

Tomar banho no local onde malha é uma opção para a psicóloga por causa da comodidade, mas, em breve, ela diz, poderá ser a solução, já que sua residência sofre diariamente com cortes de abastecimento feitos pela Sabesp.

"Se vier a ter mesmo rodízio, penso sim em vir à academia só pra tomar banho, mesmo que eu não faça ginástica."

Na Ecofit, o movimento nos vestiários já aumentou, segundo seu dono, Antonio Gandra. "Muitos alunos passaram a tomar aqui para economizar água em casa", diz.

"Colocamos ampulhetas nos chuveiros para que o banho não passe do tempo estipulado ali, de cinco minutos. Também instalamos campainhas que podem ser acionadas quando alguém estiver demorando muito", afirma.

Fabio Braga/Folhapress
Ampulheta de cinco minutos marca tempo máximo de banho
Ampulheta de cinco minutos marca tempo máximo de banho na academia Ecofit

O empresário acredita que a academia não precisará recorrer a caminhões-pipa se o rodízio de água for implementado, por contar com poço artesiano, mas, mesmo assim, adotou medidas de economia.

A dona de casa Cleide de Castro, 71, moradora do Alto de Pinheiros (zona oeste), também pretende usar a academia como "estepe".

"Se acabar a água, vou vir todo dia aqui", diz ela, após um dia de atividades na academia da Lapa (zona oeste).

Sua colega de "hidro", a professora Sonia Basilio, 65, não quer nem pensar na possibilidade. "Eu tomo banho de água mineral, mas não vou ficar fazendo mochila para vir para a academia", avisa.

Grandes redes de academias e o Sesc também se preparam para uma possível ampliação do uso dos vestiários.

Os grupos Bio Ritmo –dono também da Smart Fit–, Bodytech e Companhia Athletica contam que recorrerão a caminhões-pipa, se necessário.

"Nas nossas unidades em shoppings, temos poços. Nas outras, estamos ampliando as caixas-d'água e pedindo licenças para abrir poços", diz Luiz Urquiza, CEO da Bodytech.

O diretor do Sesc em São Paulo, Danilo de Miranda, diz que 11 unidades na capital têm poços artesianos. Nas demais, ele recorrerá a caminhões-pipa. Desde o início da crise hídrica, o Sesc reduziu o número de chuveiros nos vestiários para as pessoas serem mais rápidas nos banhos e instalou temporizadores nas pias, diz.

"Fazemos uma campanha constante de conscientização para a economia. Somos acostumados a uma cultura de abundância e agora temos que nos habituar ao contrário."

O empresário Richard Bilton, da Companhia Athletica, diz que ninguém "vai ficar na mão". "Não posso tornar a vida do aluno mais difícil."


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