Folha de S. Paulo


Sequestrador de Brasília deixou cartas de despedida para família

Três cartas de despedida foram deixadas por Jac Souza dos Santos em casa de parentes e em sua própria residência, em Palmas (TO). Ele manteve por sete horas o funcionário José Ailton, 55, no 13º andar do hotel St. Peter, região central de Brasília.

"O teor da carta é de despedida. Ele falou que essa tempestade vai passar e que ele vai dar cabo da vida dele", relatou Paulo Henrique Almeida, diretor de comunicação da Polícia Civil. Segundo ele, o texto foi escrito na última sexta-feira (26) e foi encontrado pela polícia em três locais diferentes.

Santos escreveu estar desesperado e expressa o desejo de "mudar o panorama do país", segundo o delegado.

Almeida afirmou ainda que ele chegou de carro à capital -o automóvel já foi apreendido.

Jac Souza dos Santos, 30, foi também secretário municipal de agricultura e agropecuária do município. Ele não tem antecedentes criminais e estaria atualmente trabalhando em uma campanha eleitoral.

NEGOCIAÇÃO "EMPERRADA"

Antes de Santos se entregar, a Polícia Civil relatou que dificuldade no diálogo com o sequestrador. "Ele continua bem irredutível (...) e a todo momento ele fala que vai dar cabo da vida dele.", disse Almeida.

O prazo dado por Santos para ter os pedidos atendidos se encerra às 18h. Segundo Almeida, as "negociações estão um pouco emperradas", diante da recusa em conversar. A policia isolou um perímetro de 100 metros. Esse perímetro já foi aumentado mais de uma vez pela polícia, que diz ter praticamente certeza de que o sequestrador está com explosivos. O prédio dos Correios ao lado também foi evacuado.

O homem não tem reivindicações claras. Entre os pedidos estão a aplicação da lei Ficha Limpa (que impede a candidatura de políticos condenados em tribunais colegiados da Justiça), o fim da reeleição no Brasil e a extradição de Cesare Batisti (italiano acusado de assassinato na Itália que conseguiu autorização para permanecer no Brasil).


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