Folha de S. Paulo


Bola volta a negar crime e afirma que não conhecia ex-amante de Bruno

Condenado a 22 anos de prisão pela morte de Eliza Samudio, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, 51, negou o crime e afirmou que não conhecia a ex-amante de Bruno Fernandes de Souza.

"Eu nunca vi essa moça na minha vida", disse Bola em entrevista veiculada nesta sexta-feira (1º) pela TV Alterosa, afiliada do SBT, em Belo Horizonte (MG). Foi a primeira entrevista desde o início do caso, em 2010.

"Se depender de mim, essa moça está viva. Eu estou preso, acusado desse crime. Para mim, é um suposto crime", disse. A entrevista foi concedida na Casa de Custódia do Policial Civil, onde Bola está detido, com autorização da Justiça e da polícia.

Segundo o ex-policial, todas as provas são "armações de um desafeto da polícia".

Durante o julgamento, ocorrido em abril de 2013, Bola já tinha negado envolvimento no crime. Na ocasião, ele disse ser "perseguido" pelo ex-delegado que conduziu as investigações do caso.

Eliza Samudio era amante do ex-goleiro do Flamengo Bruno, que também foi condenado pela morte dela. Quando Eliza foi assassinada, Bruninho, filho de Eliza e Bruno, tinha 4 meses. Ela cobrava pensão para o bebê.

'NÃO CONHEÇO O BRUNO'

Na entrevista, Bola negou conhecer o jogador e Macarrão, como é chamado Luiz Romão, ex-secretário e braço direito de Bruno, condenado a 15 anos de prisão.

No processo de Bola, constam como provas do crime ligações telefônicas dele para Bruno e Macarrão no dia do sumiço de Eliza.

Bola nega que tenha feito contato telefônico na data do assassinato, mas durante a entrevista, afirmou contraditoriamente que conversou com Macarrão

"Nunca estive com ele. Mas falei [por telefone], sim. Está lá na minha oitiva. Eu falei, mas nem sabia quem que era", diz Bola.

O ex-policial afirma que a ligação tinha intuito de "colocar o filho para jogar [futebol]".

Segundo Bola, ele só foi conhecer Bruno e Macarrão "cara a cara" na prisão.

'ORAÇÃO PELA FILHA'

Sobre a mãe de Eliza, Sônia de Fátima Moura, Bola disse que não poderia comentar nada porque não "conhece essa senhora".

Mas, como ela é "serva de Deus", pediu para "orar para Deus mostrar a verdade" a ela.

"Não tenho que pedir perdão. Eu não errei", disse Bola ao final da entrevista.

"Sempre fui uma pessoa trabalhadora, honesta. Trabalho desde os meus 7 anos de idade", contou Bola.

"Eu sou mais um sofredor, deve ter vários por aí. E se a polícia tivesse investigado de verdade, não teria acontecido essas coisas."


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