Folha de S. Paulo


Ciclovia não afeta projeto original do Plano Piloto, diz secretário

O secretário-adjunto de Habitação, Regularização e Desenvolvimento Urbano do Governo do Distrito Federal, Rafael Oliveira, disse que a ciclovia no canteiro central da Esplanada dos Ministérios não causará impacto no projeto original do Plano Piloto.

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"Essencialmente o que foi tombado foram as escalas, que estão completamente preservadas. Não há modificação dessas escalas por conta da instalação da ciclovia. Da mesma maneira, não estamos mexendo no traçado original da cidade", afirmou.

Oliveira disse que o plantio das 359 árvores não prejudicará "a vista do horizonte".

"Hoje já existem árvores no canteiro central da Esplanada e não têm impacto. Visualmente você não consegue perceber a diferença, você só consegue perceber quando presta bastante atenção. Do ponto de vista da cidade, é um projeto importante, que foi dialogado com o órgão federal e com o órgão internacional que cuidam de preservação", afirmou o secretário.

Segundo Oliveira, a obra "do ponto de vista da sociedade está tendo aceitação".

Sobre a crítica dos especialistas a respeito da falta de debate prévio entre urbanistas e arquitetos, o secretário disse que "todos os projetos de revitalização dos setores centrais passaram por audiência pública, em algum momento do seu desenvolvimento".

Indagado sobre a data e o local dessa audiência, o secretário não soube responder e disse que poderia esclarecer esse ponto mais tarde.

Dias depois, a Novacap (estatal responsável pelos terrenos do governo) informou que, ao contrário do que acreditava o secretário, não houve audiência pública sobre a obra no gramado.

O órgão afirmou que, após uma orientação do Ministério Público, essas audiências passarão a ocorrer no tocante a obras de outros pontos do projeto de ciclovias.

"Não houve nenhum setor da sociedade brasiliense, da população do DF, que apresentasse crítica ao projeto que o governo está implantando", disse o secretário.

"A utilização cívica e política da Esplanada está garantida. A única diferença é que na lateral desse canteiro agora haverá uma ciclovia e arborização. Nossa convicção é que não estamos alterando a paisagem da Esplanada de maneira significativa e, do mesmo modo, estamos garantindo qualidade de vida não só para população de Brasília, mas também para todos brasileiros que nos visitam e fazem uso da região."

Oliveira associou as obras aos eventos esportivos previstos para ocorrer na capital.

"A gente está dando a sinalização para esse período dos grandes eventos, a gente quer que a população comece a incorporar isso numa nova dinâmica da cidade. A gente entende que a Copa do Mundo e a Copa das Confederações vão abrir um novo momento no Distrito Federal. A nossa perspectiva é, para além da arena [de futebol] que foi construída, construir outros legados para a cidade", afirmou.

A Folha indagou ao secretário como ele imaginava que Lúcio Costa, se estivesse vivo, receberia a notícia sobre a obra da ciclovia. "Ele encararia como processo natural de desenvolvimento da cidade", respondeu Oliveira. (RV)

Editoria de Arte/Folhapress
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