Folha de S. Paulo


Analistas deveriam ser mais prudentes ao exaltar times, técnicos e jogadores

Robson Ventura/Folhapress
Campinas, SP, 30/04/2017, Brasil 16:59:28 Campeonato Paulista 2017 Jogo Ponte Preta x Corinthians no estadio Moises Lucarelli. O tecnico Fabio Carille.( Robson Ventura/Folhapress ). EMBARGADA PARA VEICULOS ONLINE *** UOL E FOLHA.COM, FOLHAPRESS CONSULTAR FOTOGRAFIA DO AGORA SP *** FONES 32242169 - 32243441 ***
O técnico do Corinthians, Fábio Carille

Todos que opinam sobre futebol, me incluindo, deveriam ser mais prudentes, sensatos, e menos açodados, deslumbrados, ao exaltarem demais, antes da hora, jogadores, técnicos e times. Depois, quando surgem os insucessos, os mesmos que elogiaram excessivamente dizem que os jogadores e técnicos não "entregaram", palavra da moda, o que se esperava deles. Quanto maior a expectativa, maior a decepção. Faz parte da degola dos técnicos.

É o que tem ocorrido com Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG, os favoritos antes de começar o Brasileiro. O "poderoso" elenco do Palmeiras tem três jogadores que eram reservas do Cruzeiro, Fabiano, Mayke e Willian. O "excepcional" time do Flamengo tem vários jogadores comuns. O Atlético-MG, com um "ótimo" elenco, não tem bons reservas para a zaga e para as laterais.

Evidentemente, os três podem se recuperar e disputar o título. Estão no mesmo nível ou são um pouco melhores que os outros candidatos. São apenas seis rodadas. Não há também nenhuma certeza de que Corinthians e Grêmio, as duas equipes que têm jogado melhor, brilhem até o fim da competição.

Há supervalorização dos treinadores, nas vitórias e nas derrotas, em detrimento dos jogadores. O Corinthians foi nitidamente superior ao São Paulo, porque tem melhor conjunto, muito graças ao trabalho do jovem técnico Carille, e também porque, individualmente, é muito melhor. O São Paulo é mediano.

Comentaristas costumam procurar uma única causa, geralmente a conduta de um técnico, mesmo que seja óbvia, que explique tudo, até o que não tem explicação. É muito mais fácil racionalizar, idolatrar o momento, mesmo que dure só um jogo, que discutir e pensar o futebol mais à frente. Dá mais audiência.

JOGO AÉREO

Em outra coluna, critiquei o excesso de jogadas aéreas. Isso acontece em todo o mundo. A seleção francesa, com muitos excepcionais jogadores, abusa do chuveirinho para o grandalhão Giroud. Evidentemente, equipes que têm ótimos cruzadores e cabeceadores, como o Real Madrid, fazem muitos gols assim, mesmo com amplo repertório. Times modestos, como o Vasco, que tem ótimo cruzador, Nenê, e ótimo cabeceador, Luís Fabiano, deveriam aproveitar mais a jogada aérea.

AMISTOSOS

Falta um ano para começar a Copa. Pretendo ir. Já comecei a reler "Crime e Castigo", obra prima de Dostoiéviski. Não conheço a Rússia.

Na terça (13), Brasil e Argentina, com a maioria de reservas, golearam a fraca Austrália e a ainda pior Cingapura, por 4 a 0 e 6 a 0. Quando eu jogava, sonhava com as férias. Era momento de descansar do futebol e de viver outros prazeres. Acho absurdo os amistosos de seleções nas férias, ainda mais que muitos, nesse período, jogam Copa do Mundo, Copa América, Copa das Confederações e Eurocopa. Deveriam protestar. Enquanto isso, a CBF e os empresários faturam em cima deles.

O que pode ter mudado nas preferências de Tite após os dois amistosos? Enquanto Diego Souza ganhou pontos na disputa com Firmino para a reserva de Gabriel Jesus, Fagner deve ter perdido pontos para Rafinha para a reserva de Daniel Alves. Não entendo a escalação de David Luiz de volante. Não vejo nele qualidades para jogar nessa posição. É um ótimo zagueiro.


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