Folha de S. Paulo


Sobreviver

Duas semanas atrás, o site All Things D informou que "o presidente do Google, Larry Page, e o chefe de conteúdo do YouTube, Robert Kyncl, se reuniram com uma delegação da NFL liderada pelo comissário Roger Goodell. E o pacote Sunday Ticket foi um dos tópicos".

Em outras palavras, o Google deu o primeiro passo para comprar os direitos de transmissão da maior atração de TV nos EUA, o futebol americano. No caso, trata-se do pacote de acesso a todos os jogos, no momento nas mãos da DirecTV, que paga US$ 1 bi por ano pelos direitos.

E hoje, terça, saiu o relatório SNL Kagan informando que a TV paga nos EUA perdeu 217 mil assinantes no segundo trimestre, em relação ao período no ano passado. No dizer do "LA Times", esta é "a realidade do cord-cutting", do corte do cabo, trocado pelo acesso on-line.

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São movimentos que reafirmam a disrupção da TV, por lá, e ajudam a compreender os movimentos da TV aqui. A Rede Globo acaba de anunciar que "muda estrutura e aposta em novas plataformas". Seu novo diretor geral, Carlos Henrique Schroder, justificou internamente:

"Vivemos numa época em que tudo muda com uma velocidade cada vez maior. E toda organização que pretende sobreviver e progredir num ambiente assim precisa fazer uma profunda avaliação do modo como está operando e ter a coragem e a grandeza de se renovar."

A palavra-chave é "sobreviver". Acrescentou ele, mais para a frente: "Os desafios se alteram com o tempo e é preciso nos adaptar ao que apontam, para podermos continuar sendo competitivos. Porque foi assim que sempre caminhamos, ao longo de quase 50 anos de história".

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Por falar em "quase 50 anos" e em adaptar para "sobreviver", as Organizações Globo anunciaram em seguida que seu "apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro". O "Jornal Nacional", apesar dos volteios, chegou a questionar Roberto Marinho e "o que ele chamava de revolução".


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