Folha de S. Paulo


São Paulo é uma privada?

A resposta é sim. O debate sobre inspeção veicular mostra como a cidade é uma privada.

Tenho sido crítico, nesta coluna, da ideia de isentar os motoristas da taxa de inspeção veicular. Afinal, quem não tem carro --os mais pobres-- pagariam a conta dos que poluem, além do fato de termos de gastar algo como R$ 180 milhões. Repito: foi uma invenção irresponsável de marqueteiro durante as eleições para afastar o PT da marca das taxas.

Acredito, porém, que o prefeito Haddad acerta em fazer pressão para que os carros licenciados fora de São Paulo e que circulam pela cidade tenham de pagar a taxa de inspeção. Como ele vai fiscalizar ainda temos de ver. Mas a pressão é justa.

Os prefeitos dos municípios vizinhos não querem perder prestígio com a classe média. Muitos não são entusiastas da inspeção. Até porque ganham sem a inspeção: carros de paulistas são licenciados em suas cidades. Uma lei rola na Assembleia Legislativa sem perspectiva de aprovação.

São Paulo é uma privada. Mas não deveria ser.

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Com o aumento das tempestades em São Paulo e na região metropolitana, provocada em parte pelas ilhas de calor, vemos o custo do desastre ambiental.


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