Folha de S. Paulo


História de amor impulsionou tratamento do câncer no Brasil

Uma história de amor é o centro de uma trama que ajudou a transformar a história do câncer no Brasil. Os protagonistas, Carmem Prudente e Antônio, se conheceram e se apaixonaram a bordo de um navio em viagem à Alemanha do 3º Reich, em 1938, na companhia da comitiva presidencial de Getúlio Vargas.

Ela, jovem jornalista dos Diários Associados, estava ali para cobrir o fato histórico. Ele, eminente professor da USP aos 32 anos, liderava um grupo de médicos que rumavam a um importante congresso de cirurgia.

A dupla mobilizou por 15 anos a sociedade paulista para que viabilizasse a construção do primeiro hospital oncológico de SP, sonho de concreto inaugurado em 1953. Era o filho do casal, que não teve outros: o hospital A.C.Camargo, construído não pelo governo, nem por colônias de imigrantes, nem pela Igreja –era o primeiro hospital da cidade erguido pela população e a ela voltado, sem distinção. Bons tempos aqueles...

O primeiro doador foi o famoso comendador Martinelli, paciente de Prudente, que destinou a quantia de mil contos de réis, uma fortuna na época.

Toda a história consta no livro "O Sonho de Carmem — Como a sociedade ajudou a transformar a história do câncer no Brasil", do escritor Eduardo Bueno, que será lançado nesta terça-feira (3), a partir das 18h, na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2.073).

Também nesta terça, véspera do Dia Mundial do Câncer, acontece a inauguração da mostra O Sonho de Carmem em frente à mesma livraria Cultura do Conjunto Nacional. Com imagens da época, 20 trechos do livro compõem o painel com os principais atores da luta contra o câncer no país. A exposição é gratuita e fica em cartaz até o dia 18 de fevereiro, diariamente até as 22h.

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Neste ano, 576 mil novos casos de câncer devem ser diagnosticados no país, a maioria já em estágio avançado porque o diagnóstico e o tratamento foram tardios.

Quem sabe o livro e a mostra não inspiram a elite paulistana e os governantes a olharem além dos muros do Albert Einstein e do Sírio-Libanês, hospitais aos quais geralmente recorrem quando adoecem, e buscarem formas de ajudar quem precisa de atendimento oncológico no SUS e amarga meses, às vezes anos, de espera?


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