Folha de S. Paulo


Jovem morto por urso polar foi arrancado de barraca, aponta relatório

Um relatório sobre a morte de um adolescente inglês atacado por um urso polar na Noruega revelou que o jovem de 17 anos foi arrancado de sua barraca pelo animal e que houve falhas no esquema de segurança montado no acampamento.

Horatio Chapple, 17, morreu em agosto de 2011 durante uma expedição escolar em Svalbard, um arquipélago norueguês no oceano Ártico.

Ele dormia quando um urso rasgou a lateral de sua barraca, o arrastou para fora dela e causou ferimentos mortais na sua cabeça.

O animal ainda feriu mais quatro pessoas, dois adultos e dois adolescentes, antes de ser abatido a tiros.

Arquivo da Família
Horatio Chapple, 17, morreu em agosto de 2011 durante uma expedição escolar em Svalbard, um arquipélago norueguês no oceano Ártico
Horatio Chapple, 17, morreu em agosto de 2011 durante uma expedição escolar em Svalbard

INQUÉRITO

O relatório foi encomendado pela British Exploring, a ONG de educação que organizou a expedição, a uma comissão liderada por um ex-juiz e só foi divulgado agora, a pedido da família da vítima, para coincidir com a abertura de um inquérito sobre o acidente, nesta segunda-feira.

Segundo a investigação da comissão, o sistema de alerta erguido no local, com minas que explodiriam no contato com arames esticados ao redor do acampamento, falhou quando o urso invadiu o local.

Além disso, foram apontadas outras falhas, como falta de sinalizadores e armas suficientes para garantir a proteção do grupo.

O rifle usado para abater o animal falhou diversas vezes ao ser disparado, porque tinha sido guardado de forma inadequada.

Os pais do rapaz, Olívia e David Chapple, disseram que tinham examinado cuidadosamente o documento sobre os possíveis riscos da expedição antes de seu filho viajar.

"Sem isso, não teríamos deixado ele ir. Ninguém iria numa expedição com uma boa probabilidade de riscos se não houvesse um planejamento prévio", disse Olívia.

"Se tudo tivesse sido colocado em prática como haviam dito, meu filho teria tido algum tempo para se defender", disse David Chapple.

EVENTO RARO

Segundo o ex-juiz David Steel, autor do relatório, a morte de Horatio foi uma "tragédia causada por um evento raro, como a invasão do acampamento por um urso polar faminto", uma possibilidade considerada remota por ele, mas não impossível.

Richard Payne, o líder da expedição, explicou no inquérito que "somente ao chegar no acampamento base" foi descoberto que não havia sinalizadores suficientes.

Ele disse ainda que estava acampado havia 52 semanas no Ártico e que, em todo esse tempo, não havia tido um encontro com um urso polar.

"Nunca havia visto um urso naquela área e foi muito incomum ele de comportar dessa forma", afirmou.

O inquérito sobre a morte de Horatio ainda não tem data para ser concluído.


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