Folha de S. Paulo


Após se comparar a afrodescendentes, Dunga pede desculpas

Silvia Izquierdo/Associated Press
O técnico Dunga durante a entrevista coletiva em Concepción, no Chile
O técnico Dunga durante a entrevista coletiva em Concepción, no Chile

O técnico Dunga se comparou, na entrevista coletiva, a um "afrodescendente" ao se defender das críticas ao seu trabalho na seleção brasileira. Entretanto, quase três horas depois, ele fez um mea-culpa e se desculpou pela frase.

"Eu até acho que sou afrodescendente, de tanto que apanhei e gosto de apanhar. Os caras olham pra mim e falam: 'vamos bater nesse aí'. E aí começam a me bater. Sem noção, sem nada, começam a me bater", afirmou o treinador, na entrevista coletiva realizada nesta sexta (26), no estádio Ester Roa, em Concepción.

Neste sábado (27), a seleção enfrenta o Paraguai, às 18h30, pelas quartas de final da Copa América.

O treinador questionou a exaltação às seleções que perderam, e críticas as que ganharam. Uma clara lembrança à seleção da Copa do Mundo de 1982, que nem chegou à semifinal mas até hoje é lembrado como um dos melhores times da história, e a de 1994, que tirou o Brasil de uma fila de 24 anos sem título, mas era criticada pelo futebol pragmático, sem "magia".

"Nós éramos ruins com sorte, e os outros eram bons com azar, só pode ser isso. Como vou explicar para o torcedor, para o meu filho, que o ruim é o que ganha? Temos que olhar o futebol de uma forma diferente. O talento é bom, mas não é suficiente para se formar um time", disse o treinador.

Contudo, após a reação à declaração, o técnico se manifestou novamente por meio do site oficial da CBF.

"Quero me desculpar com todos que possam se sentir ofendidos com a minha declaração sobre os afrodescendentes. A maneira como me expressei não reflete os meus sentimentos e opiniões", disse.

PARALELO

O técnico vê semelhanças entre a atual geração e aquela do início dos anos 90, que fracassou na Copa do Mundo da Itália, em 1990, e quatro anos depois, com a base mantida, levantou a taça nos EUA. No início da Copa América, sete dos 23 convocados por Dunga participaram da fracassada campanha na Copa-2014 – quando o Brasil perdeu de 7 a 1 da Alemanha, na semifinal, na pior derrota da história da seleção.

"Não pode achar que tudo está ruim sempre. Esta seleção não tem experiência em jogos assim, mas está aprendendo, o grau de dificuldade aumenta cada vez mais, e o time está se preparando para dar a resposta", disse Dunga.

Ele, como era esperado, não revelou o time que entrará em campo contra o Paraguai. Como teme a jogada aérea do adversário, não seria impossível ele tirar Philippe Coutinho (1,72m) e colocar David Luiz (1,88m) para jogar como volante, liberando assim Fernandinho e Elias, mas ganhando altura nos escanteios e faltas laterais defensivas.

Infográfico Seleções na Copa América


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